Divagações2

Apr 25

A hospedeira zumbi

- No começo chamamos aquela alma de Canção Corredora… era uma tradução livre do seu nome no… Mundo Cantor. Mas logo ele optou por tomar o nome de seu hospedeiro, Kevin. Ainda que estivesse designado a um Chamado em Performance Musical, considerando-se sua experiência anterior, ele disse que ficava mais à vontade continuando a linha de trabalho anterior do hospedeiro, que era mecânico.

“Esses sinais foram um pouco preocupantes para o Confortador atribuído a ele, mas cabiam com folga nos limites considerados normais.

“Depois, Kevin começou a se queixar de lapsos de memória de tempos em tempos. Eles o trouxeram de volta para mim, e fizemos exaustivos testes para garantir que não havia nenhuma falha oculta no cérebro do hospedeiro. Durante os testes constatamos que era mais do que isso. Havia falhas nutricionais graves, vitaminas essenciais haviam sido negligenciadas e ele confessou que tinha um apetite incansável por carne vermelha. Com o tempo notamos que não era só isso, o corpo se rebelava contra a alma e se recusava a receber o tratamento, passando a se decompor. Achamos que só a presença de uma Alma o mantinha vivo, mas logo vimos que estávamos errados.

“Ao tirar a Alma do hospedeiro, o corpo não morreu. Continuou em uma espécie de sub-vida que os humanos chamavam de ‘zumbis’, corpos sem mente, que servem só para matar.

- O corpo assumiu o controle? - meus olhos se esbugalharam - Sem a alma saber? O hospedeiro comandava o corpo?

- Infelizmente, sim. Kevin não foi forte o bastante para suprimir aquele hospedeiro.

Não foi forte o bastante. Será que pensavam que eu era igualmente fraca? Era eu fraca a ponto de não poder comandar o corpo? Será que haver pensamentos vivos dela onde só deveria haver memórias eram sinal de que aquele futuro me aguardava? Sempre me considerei forte. A idéia dessa fraqueza me fez hesitar. Envergonhou-me.

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E esta foi a tentativa de zumbificar “A hospedeira” de Stephenie Meyer publicado pela Intrínseca.

Apr 24

O dilema do zumbi

Em alguma medida, a questão de saber o que vamos comer na próxima refeição toma de assalto todo zumbi, e tem sido sempre assim. Quando comemos nossa própria fonte de multiplicação da espécie, decidir o que se deve comer irá necessariamente provocar ansiedade, sobretudo quando algumas das comidas à nossa disposição têm o irritante hábito de tentar arrancar nossas cabeças na busca de liberdade.

Se antes cada um de nós precisava lidar com este dilema decidindo por si próprio se o melhor seria comer o tigre ou o caçador, hoje em dia, quando conseguimos estabelecer um convívio harmônico entre os de nossa espécie, contamos com aqueles que criam manadas de seres humanos, seja em semi-liberdade ou em confinamento para abastecer as cidades de nossa principal fonte de proteína, na maioria das vezes não precisamos ir à caça, nem enfrentar humanos rebeldes, basta irmos ao supermercado e pegar um pacote de pernil humano e uma garrafa de um bom sangue fermentado para termos uma refeição satisfatória.

Mas a lenta reprodução da espécie (cada fêmea, em situação natural, pare apenas um filhote por ano), fez com que quantidades cada vez maiores de hormônios fossem injetados nessas manadas, fazendo com que as fêmeas passassem a parir uma média de três filhotes/ano.

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Que tal minha tentativa de zumbificar o livro “O dilema do onívoro” de Michael Pollan editado pela Intrínseca?